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De filhote de veado a falcões: bióloga voluntária cuida de animais silvestres e transforma própria casa em santuário no RS

Bióloga voluntária cuida de animais silvestres no RS 🦅🦌🦡 Um quarto com janelas teladas que serve de lar para dois falcões, mamadeiras com leite espe...

De filhote de veado a falcões: bióloga voluntária cuida de animais silvestres e transforma própria casa em santuário no RS
De filhote de veado a falcões: bióloga voluntária cuida de animais silvestres e transforma própria casa em santuário no RS (Foto: Reprodução)

Bióloga voluntária cuida de animais silvestres no RS 🦅🦌🦡 Um quarto com janelas teladas que serve de lar para dois falcões, mamadeiras com leite especial para um filhote de veado e noites em claro para aquecer uma ninhada de gambás. Cenas como essas são rotina na casa da bióloga Mariana Costa, em Alegrete, na Fronteira Oeste. Desde 2018, ela mantém uma parceria voluntária com a Patrulha Ambiental (Patram) e transforma a própria residência em um centro de reabilitação provisório para animais silvestres. Mariana conta que o trabalho começou de forma espontânea quando ela, formada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa), retornou ao município. 📲 Acesse o canal do g1 RS no WhatsApp O conhecimento acadêmico e o amor pelos animais fizeram com que vizinhos e conhecidos a procurassem ao encontrar animais debilitados ou machucados após acidentes. Com o tempo, a iniciativa se tornou um apoio fundamental para a Patram local. A corporação, responsável por fiscalizações ambientais, frequentemente resgata animais que necessitam de cuidados intensivos, mas não possui estrutura para atendimento contínuo, 24 horas por dia. Além disso, a logística dificulta o encaminhamento para centros especializados. "O Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) mais próximo fica em Santa Maria, a aproximadamente três horas daqui", explica Mariana. "Era praticamente um pedido de ajuda por semana. A Patram precisa de autorização do Estado para deslocar a viatura e não conseguiria estar, uma vez por semana, levando filhotes para Santa Maria", complementa. O sargento Rui Dias, da Patram de Alegrete, reforça a importância do trabalho da parceira e destaca que a expansão urbana para áreas rurais tornou a interação com a fauna inevitável, aumentando a demanda por resgates. Segundo ele, o apoio técnico de Mariana é crucial para tomar decisões rápidas e corretas. "Quando uma caturrita é apreendida em cativeiro, não sabemos a idade, se tem condições de ser reintroduzida ou se está domesticada. Precisamos de alguém que faça essa avaliação logo para não prejudicar os animais", afirma o sargento. Para receber os "pacientes", Mariana improvisa e adapta os espaços de sua casa. Atualmente, dois falcões, que chegaram filhotes e muito debilitados, vivem em um quarto exclusivo. Cada um deles perdeu uma perna, o que impede a soltura na natureza, pois não conseguiriam caçar. "Eu adaptei esse quarto, coloquei tela nas janelas, que ficam sempre abertas. Eles tomam banho na chuva, têm contato com a natureza", conta a bióloga. Ela revela que, ao recebê-los, acreditou que não sobreviveriam. "Eu disse aos policiais: 'Vou receber, mas quero deixar bem claro que possivelmente os dois venham a óbito'. No dia seguinte, já estavam muito melhores. Foi uma alegria". Aves são a maioria dos animais atendidos, com um pico de resgates durante o período reprodutivo, entre setembro e janeiro. Contudo, a lista de espécies é diversa. De falcões a veados: bióloga reabilita animais silvestres na própria casa na Fronteira Oeste Arquivo pessoal Mariana já cuidou de uma ninhada de oito gambás órfãos, cuja mãe foi morta por cães. "Aquela foi uma noite muito intensa de aquecimento, de dar pinguinho por pinguinho do leite, que tem que ser sem lactose", relembra. Filhotes de graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus), conhecido na região como sorro, e até um filhote de veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus) também passaram por seus cuidados. O cervo exigiu uma dieta especial, com quatro mamadeiras diárias de leite natural, e um cuidadoso processo de transição para a alimentação sólida. O objetivo do trabalho é sempre a reabilitação para que o animal possa retornar ao seu habitat. Quando um animal está apto, a própria Mariana realiza a soltura, um dos momentos preferidos de sua rotina. "É muito gratificante poder fazer a soltura de um animal que eu passei noites em claro, de duas em duas horas aplicando uma medicação, e saber que ele voltou pra natureza e vai cumprir seu papel", diz. A comunidade também se envolve. O filhote de veado que ela criou foi solto em uma propriedade rural cujo dono, sensibilizado pela história, ofereceu a área, que é livre de caça e possui mata preservada. Apesar de não buscar divulgação, Mariana acredita que a repercussão positiva de seu trabalho pode inspirar mais pessoas a ajudarem. "A gente precisa do apoio da população para que, se vir um animal na estrada, dê uma segurada. Se encontrar um animal precisando de ajuda, chame o órgão competente", finaliza. Como acionar a Patram Para chamar o resgate da Patrulha Ambiental da Brigada Militar ou órgãos ambientais similares para animais silvestres feridos ou em local indevido, ligue para o 190 (Polícia Militar). No RS, o resgate de fauna pode ser acionado via telefone funcional 51 98593-1288 (WhatsApp/ligação) ou fixos 3288-7434 e 3288-7430) em horário comercial. Recomendações importantes: Não toque no animal silvestre para evitar acidentes e estresse. Mantenha a calma e observe o comportamento do animal. Informe o endereço exato e detalhes sobre a situação do animal ao telefonar. Bióloga voluntária ajuda no resgate e reabilitação de animais silvestres Arquivo pessoal VÍDEOS: Tudo sobre o RS